
A ansiedade é uma emoção normal que vem e vai em resposta a medos ou preocupações sobre mudanças na saúde, trabalho, relacionamentos ou dinheiro. Uma pessoa tem um transtorno de ansiedade quando a ansiedade não desaparece, piora com o tempo e a impede de participar de atividades diárias. Neste texto, você encontrará informações importantes sobre ansiedade e fibrose cística.
Muitos aspectos da fibrose cística podem causar ansiedade. Esses sentimentos podem ir e vir conforme você lida com a doença e com eventos ou mudanças na sua saúde ou na de seu filho. Um transtorno de ansiedade difere da ansiedade normal porque pode ocorrer por um longo período de tempo e interferir na sua capacidade de controlar o quadro da fibrose cística de forma eficaz e ter uma melhor qualidade de vida.
A ansiedade é um dos problemas emocionais mais comuns. As pessoas que vivem com fibrose cística ou que têm filhos diagnosticados com a doença, podem passar por muito estresse. Reservar tempo para tratamentos diários, lembrar-se de tomar os medicamentos, perder coisas que deseja fazer e ser hospitalizado por causa de uma infecção causam estresse e ansiedade, que afetam o bem-estar emocional.
Estudos demonstraram que as pessoas com fibrose cística, bem como os pais que cuidam de crianças com a doença, têm maior probabilidade de sentir ansiedade do que as pessoas da população em geral. As pessoas com fibrose cística e seus cuidadores que sofrem de ansiedade também têm maior probabilidade de sofrer de depressão.
Assim, um transtorno de ansiedade não tratado afeta sua saúde física e emocional e como você cuida de si mesmo. Por exemplo, pessoas com ansiedade não tratada:
Alguns dos sintomas de ansiedade podem ser sintomas de outras doenças. Além disso, você pode não sentir todos esses sintomas. A ansiedade afeta a forma como você pensa e o quanto você pensa sobre certas coisas, mas também pode ter efeitos físicos.
Se você apresentar sintomas por pelo menos seis meses, pode estar sofrendo de um transtorno de ansiedade.
Os sintomas de ansiedade incluem:
Crianças e adolescentes podem ter sintomas adicionais, incluindo preocupações sobre:
Se você acha que você ou seu filho pode ter um transtorno de ansiedade, converse com os membros do Centro de Referência. Eles podem ajudá-lo a determinar se você ou seu filho tem ansiedade e ajudá-lo a obter tratamento.
A maioria das pessoas que tem ansiedade pode ser tratada com sucesso e superá-la. O tratamento depende de quão leve ou grave é a ansiedade, mas geralmente inclui aconselhamento, medicação ou uma combinação dos dois. A maioria das pessoas com ansiedade é tratada com sucesso.
Muitas pessoas não querem procurar ajuda para a ansiedade porque acham que é um sinal de fraqueza ou que significa que estão “loucas”. Muitas pessoas também acreditam que serão julgadas se outras descobrirem. A ansiedade é uma doença médica que não tem nada a ver com a força de uma pessoa e não significa que ela seja louca. Buscar ajuda para a ansiedade e fazer algo para tratá-la é sinal de força e autocuidado.
A causa exata da ansiedade é desconhecida. Ter fibrose cística ou cuidar de uma criança com a doença aumenta o risco de ansiedade. Além disso, alguns outros fatores também podem elevar as chances de desenvolvimento do quadro, incluindo:
Se você é pai de um adolescente com fibrose cística e tem um transtorno de ansiedade, seu filho tem 2,2 vezes mais chances de sentir ansiedade.
Além do transtorno de ansiedade generalizada que muitas pessoas com fibrose cística ou seus pais podem experimentar, algumas pessoas vivenciam uma forma muito específica de ansiedade centrada no medo de procedimentos médicos.
Muitas pessoas com fibrose cística precisam passar por procedimentos médicos, como colocação de tubos de alimentação ou cateter central de inserção periférica, ou linhas PICC, de modo que esse tipo de ansiedade é comum na comunidade com fibrose cística.
Sentir-se nervoso com os procedimentos médicos é natural, mas o medo exagerado, ou fobia, que algumas pessoas com fibrose cística experimentam antes dos procedimentos médicos, não é normal quando interfere na capacidade de controlar a doença de forma eficaz.
Nem sempre sabemos o que causa a ansiedade, mas podemos tratá-la de forma eficaz se os sintomas de um transtorno de ansiedade forem identificados. Após o tratamento bem-sucedido, existem outras habilidades e hábitos que você pode aprender e que podem ajudar a prevenir a recorrência dos sintomas. Sua equipe médica pode oferecer uma triagem para você ou seu filho anualmente durante uma de suas visitas ao Centro de Referência.
A equipe do seu centro de atendimento pode solicitar que você ou seu filho preencham uma pesquisa rápida. A pesquisa pode perguntar se você está sentindo ansiedade, como nervosismo, preocupação incontrolável ou dificuldade em realizar suas atividades habituais, como ir para o trabalho ou cuidar de coisas em casa.
Se os resultados da pesquisa sugerirem que você ou seu filho podem ter um transtorno de ansiedade, sua equipe pode recomendar avaliação e tratamento adicionais, se necessário. Se sua equipe de atendimento não incluir um especialista em saúde mental, você poderá ser encaminhado para um que não trabalhe em seu Centro de Referência e possa avaliar seu filho para determinar se o tratamento é necessário.
Para os pais que podem estar sentindo ansiedade, a equipe pode encaminhá-los ao seu médico de cuidados primários para coordenar seus cuidados.
É importante ser honesto ao preencher a pesquisa. Algumas pessoas acham difícil admitir que estão lutando porque isso as faz sentir como se estivessem decepcionando suas famílias ou entes queridos. Pelo contrário, pedir ajuda é um passo positivo para melhorar. A ansiedade pode ser tratada com sucesso, mas apenas se os sintomas forem devidamente identificados.
“Minha mãe estava sentada ao meu lado quando eu estava fazendo uma triagem. Mesmo que eu devesse ter respondido ‘sim’ a muitas das perguntas de triagem, respondi ‘não’ porque não queria que minha mãe se sentisse mal.” — Hannah Buck, adulta com fibrose cística, do CF Community Blog.
O tratamento para transtorno de ansiedade é altamente eficaz e depende de quão leve ou grave é a ansiedade. O tratamento geralmente inclui terapia cognitivo-comportamental, medicamentos ou ambos.
Terapia cognitiva comportamental
A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar você ou seu filho a identificar e mudar pensamentos, emoções e comportamentos irrealistas ou prejudiciais. Depois de identificar pensamentos, emoções e comportamentos prejudiciais, você os desafia e os substitui por pensamentos e comportamentos mais eficazes.
Seu profissional de saúde mental também pode ensinar técnicas de relaxamento e respiração profunda como parte de seu tratamento.
Medicamento
A medicação pode ajudar a restaurar o equilíbrio das substâncias químicas do cérebro e geralmente é prescrita por um psiquiatra, que é um médico com treinamento especial na identificação e tratamento da ansiedade. Embora esses medicamentos sejam comumente conhecidos como antidepressivos, eles também são muito eficazes para ajudar as pessoas com ansiedade.
Uma classe de medicamentos antidepressivos comumente prescritos para tratar a ansiedade são os inibidores da recaptação da serotonina (IRSs). Os IRSs funcionam impedindo a reabsorção da serotonina química, que pode aliviar a ansiedade. Esses medicamentos podem começar a funcionar dentro de uma a duas semanas, mas você pode não sentir seus efeitos completos por dois a três meses. Se você não começar a se sentir melhor após várias semanas, informe o seu médico ou equipe de atendimento.
Para pessoas com ansiedade mais grave ou ansiedade que não melhora com terapia de fala ou medicação, o tratamento pode ser uma combinação dos dois.
Como o tratamento da fibrose cística é complexo e envolve muitos medicamentos e diferentes terapias, a coordenação entre sua equipe de tratamento da doença e seu especialista em saúde mental é importante para evitar quaisquer efeitos colaterais ou interações medicamentosas não intencionais. A coordenação também é importante para monitorar seus sintomas, ajustar seu plano de tratamento e fornecer exames de acompanhamento.
Converse com sua equipe de atendimento e seu especialista em saúde mental sobre como colocá-los em contato um com o outro para garantir que você receba os cuidados adequados.
O tratamento da ansiedade, como uma fobia relacionada a procedimentos médicos, começa com a terapia cognitivo-comportamental. Se os níveis de ansiedade antes dos procedimentos não melhorarem, medicamentos chamados benzodiazepínicos podem ser prescritos antecipadamente. Os benzodiazepínicos são sedativos que ajudam a pessoa a relaxar. Eles são apenas para uso de curto prazo, porque podem criar hábitos.
Além dos cuidados prestados por um especialista em saúde mental, você pode fazer o seguinte para se recuperar de um transtorno de ansiedade e evitar que os sintomas voltem:
Embora essas atividades não substituam o cuidado profissional, elas podem fazer uma diferença real em seus níveis de ansiedade.
Referências:
Quittner AL, Goldbeck L, Abbott J, Duff A, Lambrecht P, Sol A, Tiboshc MM, Brucefors AB, YAB, Y H, Catastini P, Blackwell L, Barker D. Prevalence of depression and anxiety in patients with cystic fibrosis and parent caregivers: results of The International Depression Epidemiological Study across nine countries. Thorax. 2014;69:1090-1097. doi:10.1136/thoraxjnl-2014-205983
American Psychiatric Association: What Are Anxiety Disorders?
Fonte: https://www.cff.org/managing-cf/anxiety. Acesso em 24 de março de 2023.
Traduzido por: Mariana Camargo, biomédica, PhD e mãe da Sofia, diagnosticada com fibrose cística.
Revisão: Verônica Stasiak Bednarczuk de Oliveira, fundadora e diretora executiva do Unidos pela Vida, diagnosticada com fibrose cística aos 23 anos. Psicóloga, especialista em análise do comportamento, tem MBA em Direitos Sociais e Políticas Públicas e Mestranda em Ciências Farmacêuticas com ênfase em Avaliação de Tecnologias de Saúde pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
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Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.
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