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23 de fevereiro de 2026

Atividade Física, Equipe de Fibra

Saiba mais sobre a importância da atividade física nas doenças raras

A prática de atividade física pode trazer diversos benefícios para a nossa saúde, e isso não é diferente para pessoas que convivem com uma doença rara.

Para falar mais sobre esse tema, o Instituto Unidos pela Vida entrevistou o educador físico Willian Barbosa, que destacou a importância do movimento e os cuidados necessários para uma prática segura e individualizada.

Segundo Willian Barbosa, a atividade física está presente em qualquer movimento realizado pelo corpo e que gera algum gasto energético acima do repouso. Já o exercício físico faz parte de um conceito mais amplo.

“A atividade física é o todo. O exercício físico é uma subdivisão, composta por movimentos estruturados e planejados com um objetivo específico de melhora”, explica.

Na prática, isso significa que, enquanto as atividades do dia a dia também contam como movimento, o exercício físico envolve algo mais elaborado e planejado, além de ser realizado com organização e acompanhamento para alcançar resultados específicos.

Entre os principais benefícios da prática regular de atividades físicas para pessoas com doenças raras, o educador físico destaca o fortalecimento muscular e ósseo, o alívio dos sintomas, o combate ao sedentarismo, a melhora na saúde mental e o combate à depressão.

Individualização é essencial!

Um dos pontos centrais abordados por Willian é que, quando o assunto é atividade física, não existe uma única diretriz capaz de contemplar todas as doenças raras. Por isso, a prática deve ser individualizada.

“Pensando no exercício físico e na qualidade de vida da pessoa com doença rara, nós temos que considerar que o mais importante nessa prática é o bem-estar do paciente. Então, respeitar os limites e entender a condição de cada pessoa rara é o mais importante”, afirma.

O educador físico ainda ressalta que a orientação médica é essencial para definir limites e a prática, já que cada doença e cada indivíduo apresentam necessidades específicas. O acompanhamento profissional permite ajustar a progressão dos exercícios, equilibrando intensidade, segurança e resultados. Para Willian, ouvir o paciente é fundamental.

“A experiência do paciente e o que ele nos remete após cada dia de treino são aspectos muito importantes, pois farão com que o educador físico que o acompanha coloque na balança os níveis de intensidade e os cuidados necessários para mantê-lo motivado e, ao mesmo tempo, também gerar resultados positivos, precisando em alguns momentos progredir e em outros regredir para que ele tenha um bom desenvolvimento”, ressalta.

Qual exercício realizar e com qual frequência?

Em relação à frequência e ao tempo de prática, Willian destaca que manter-se ativo mais dias por semana costuma ser mais benéfico do que realizar sessões muito longas em poucos dias.

“Citando a fibrose cística como exemplo, alguns estudos indicam que o ideal é realizar pelo menos 20 minutos diários de exercícios cinco dias por semana. Por outro lado, outras pesquisas indicam 30 minutos por dia, totalizando ao menos 150 minutos semanais. No geral, é preciso avaliar cada caso e definir a frequência de forma conjunta com um profissional da educação física”, afirma.

A escolha de qual atividade física realizar também segue a mesma indicação: deve ser pensada para cada caso. Willian explica que diferentes tipos de exercícios podem trazer benefícios distintos.

“Exercícios aeróbicos contínuos e intervalados contribuem para melhorar a capacidade cardiorrespiratória. Já o treinamento de força auxilia no fortalecimento muscular, na melhora da postura e funcionalidade do corpo. Outros estímulos, como exercícios de flexibilidade e equilíbrio, ajudam a ampliar o repertório motor e a adaptação do organismo”, explica.

O educador físico ainda ressalta que, a realização planejada e estruturada de exercícios físicos nas doenças raras é o que vai possibilitar o entendimento sobre os reais benefícios que a atividade está trazendo ou não.

“Quando a gente não planeja algo, é muito difícil entender os resultados. Então, escolha algo que te dê vontade de experimentar, execute e assim vá buscando, dentro da sua capacidade, aquilo que te traz mais bem-estar e te motiva. Isso é fundamental para que você possa manter a sua frequência e colher os frutos da melhora na saúde relacionada ao movimento”, afirma Willian.

Cuidados e sinais de alerta

A atenção aos sintomas é indispensável durante a prática de exercícios físicos nas doenças raras. Em alguns casos, pode ser necessário interromper a prática.

“Na fibrose cística, por exemplo, se o seu paciente está tendo febre, nível de hemoptise acentuado, ou até mesmo exacerbações moderadas e graves, a interrupção do exercício físico é a melhor opção, assim como uma avaliação médica sobre a possibilidade de retorno às atividades físicas”, ressalta.

Por fim, Willian relembra que o objetivo principal da atividade física não é transformar a pessoa com uma doença rara em atleta, mas melhorar sua saúde e trazer mais qualidade de vida.

“A ideia é viver dentro das suas limitações da melhor maneira possível, com o maior grau de funcionalidade e capacidade relacionada ao exercício físico”, finaliza.

A prática de atividade física pode trazer diversos benefícios para pessoas com doenças raras, mas deve sempre ser planejada, individualizada e realizada com acompanhamento adequado. Em caso de dúvidas ou antes de iniciar qualquer atividade, é fundamental buscar orientação médica.

Para se aprofundar ainda mais sobre esse tema, confira o episódio 02 do podcast Conversando sobre Doenças Raras e Respiratórias do Instituto Unidos pela Vida no link abaixo.

Por Kamila Vintureli

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Nota importante: As informações aqui contidas têm cunho estritamente educacional. Em hipótese alguma pretendem substituir a consulta médica, a realização de exames e/ou o tratamento médico. Em caso de dúvidas, fale com seu médico.

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